Quem sou eu

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Jornalista, por conta de cassação como oficial de Marinha no golpe de 64, sou cria de Vila Isabel, onde vivi até os 23 anos de idade. A vida política partidária começa simultaneamente com a vida jornalística, em 1965. A jornalística, explicitamente. A política, na clandestinidade do PCB. Ex-deputado estadual, me filio ao PT, por onde alcanço mais dois mandatos, já como federal. Com a guinada ideológica imposta ao Partido pelo pragmatismo escolhido como caminho pelo governo Lula, saio e me incorporo aos que fundaram o Partido Socialismo e Liberdade, onde milito atualmente. Três filh@s - Thalia, Tainah e Leonardo - vivo com minha companheira Rosane desde 1988.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Quem o verdadeiro ladrão? O que assalta ou o que funda um banco?

Crônica de Vladimir Safatle, hoje na FSPaulo, é um documento histórico. Jamais algo foi dito de forma tão incisiva sobre o papel predatório do sistema financeiro privado, em nossa imprensa. Não sei quanto tempo ele será mantido na coluna semanal, se continuar reiterando o papel corajoso de jornalista independente da linha editorial do jornal em que escreve. Mas enquanto estiver, merece o nosso respeito e apoio. Segue a crônica:C


Pobres bancos
Vladimir Safatle

Quando o governo resolveu, enfim, denunciar a "lógica perversa" que guia o sistema financeiro brasileiro, era de esperar que os consultores e economistas regiamente recompensados pelos bancos aparecessem para contemporizar. Como em uma peça de teatro na qual as máscaras acabam por cair, foi isto o que ocorreu.
Há algo de cômico em ver adeptos do livre mercado e da concorrência procurando argumentos para defender uma banca de oligopólio especializada em espoliar os brasileiros com "spreads" capazes de deixar qualquer banco mundial corado de vergonha.
Se os bancos brasileiros estão entre os que mais lucram no Universo, é porque nunca precisaram, de fato, viver em um sistema no qual o poder estatal impediria a extorsão institucionalizada à qual ainda estamos submetidos.
No mundo inteiro, o sistema bancário faz jus à frase do dramaturgo Bertolt Brecht: "O que é roubar um banco se você imaginar o que significa fundar um banco?".
Nos últimos anos, vimos associações bancárias com comportamentos dignos da máfia, pois são especializadas em maquiar dados e balanços, criar fraudes, ajudar a evasão fiscal, operar em alto risco e passar a conta para a frente, além de corromper entes públicos.
Mas a maior astúcia do vício é travestir-se de virtude. Assim, o sistema financeiro criou a palavra "austeridade" a fim de designar o processo de assalto dos recursos públicos para pagamento de rombos bancários e "stock-options" de executivos criminosos, com a consequente descapitalização dos países mais frágeis.
Se não tivemos algo da mesma intensidade no Brasil, vemos agora um processo semelhante do ponto de vista retórico. Assim, os "spreads" bancários seriam o resultado indigesto do risco alto de inadimplência, já que a população brasileira teria o hábito pouco salutar de não pagar suas dívidas e se deixar endividar além da conta.
Neste sentido, os lucros bancários seriam (vejam só vocês) o remédio amargo, porém necessário, até que a população brasileira aprenda a viver com o que tem e assuma gastos de maneira responsável. O mais impressionante é encontrar pessoas que se acham capazes de nos fazer acreditar nessa piada de mau gosto.
A verdade é que quanto menos poder e margem de manobra o sistema financeiro tiver, melhor é a sociedade. Há sempre aqueles "consultores" que dirão: "É fácil falar mal dos bancos", apresentando o espantalho do populismo. A estas pessoas devemos dizer: "Sim, é fácil. Ainda mais quando não se está na folha de pagamento de um". Já sobre o "risco" do populismo, pobres são aqueles para os quais a defesa dos interesses econômicos da população sempre é sinal de irracionalidade.
VLADIMIR SAFATLE escreve às terças-feiras nesta coluna.

domingo, 6 de maio de 2012

Réus das Torres Gemeas viram acusadores do "açougue" Guantánamo

O processo contra supostos responsáveis pelo atentado contra as Torres Gêmeas poderá se transformar, não no julgamento dos denunciados, mas, num libelo contra a hipocrisia do governo Obama, a considerar o primeiro dia de trabalho na "Corte".
Primeiro, pela tendência à retomada de um tema que os americanos abominam, nessa fase atual de disfarçar seu imperialismo expansionista em "defesa de direitos humanos". A questão da tortura comprovada em Guantánamo vai retornar à pauta, num tribunal que se instala justamente em Guantánamo. Ou seja; atentado grave à dignidade humana em Cuba, é o que se realizou com cobertura legal - dos governos Bush e Obama - precisamente na área da Ilha controlada pelos ianques.
Segundo; em plena campanha eleitoral, volta à pauta a honestidade de propósito nas promessas de campanha. Obama havia prometido extinguir o presídio montado em Guantánamo, e a trazer o julgamento para os tribunais americanos. Recuou, não só por pressão republicana, mas também de alguns de seus pares "democratas". O que comprova o seis por meia-dúzia da americanalhização da política. Republicanos e Democratas, duas faces de uma mesma política.
Ao fim e ao cabo, quem terá interesse em transformar a denúncia em pizza? Sem dúvida, serão os algozes torturadores, impossibilitados de ocultar as atrocidades que cometeram em Guantánamo, e nas demais prisões secretas, distribuidas por países cúmplices em vários continentes, cumprindo ordens da Departamento de Estado à CIA.


Tortura ameaça tornar-se tema central no julgamento de Guantánamo


Tortura ameaça tornar-se tema central no julgamento de Guantánamo
legenda da imagem
Janet Hamlin, Epa

Os cinco acusados pelos crimes de 11 de Setembro de 2001 recusaram declarar-se inocentes ou culpados, tiraram ostensivamente os auriculares dos ouvidos, interromperam a audiência para rezar e negaram constantemente a legitimidade do tribunal. Num único tema eles se manifestam com clareza: o protesto contra as torturas de que se dizem vítimas. O processo poderá durar vários anos.

A audiência, ontem realizada no tribunal militar de Guantánamo, durou nada menos de 13 horas. Os cinco acusados adiaram para data futura uma eventual declaração de inocentes ou culpados sobre o homicídio de 2.976 que se calcula terem perecido nos atentados de 11 de Setembro. Se se provarem as acusações, os cinco podem ser condenados à morte.
Boicote dos réus ao tribunal A leitura da acusação durou de duas horas e meia. Quando o coronel James Pohl,  que preside ao tribunal, começou a dirigir perguntas aos cinco réus, estes retiraram os headphones e recusaram-se a escutar. Por vezes, abstinham-se de responder ás perguntas e liam o Corão quando estas lhes eram dirigidas.

Noutros momentos, ouviram perguntas feitas pelo juiz, mas recusaram-se a responder. Foi o caso, nomeadamente, da pergunta sobre se consideravam a sua defesa bem entregue aos advogados civis e militares que os representam.

Por vezes, os réus saíram da sua reserva e manifestaram-se ruidosamente, como sucedeu com Ramzi Binalshibi, que gritou a certa altura, segundo citação de Al Jazeera: "Vocês vão matar-nos e dizer que cometemos suicídio". Numa outra ocasião, quase no fim da sessão, o réu Walid bin Attash interrompeu um protesto da sua advogada sobre os maus tratos infligidos aos presos, rasgando a camisa e exibindo cicatrizes do que dizem ser ferimentos causados pelos seus carcereiros norte-americanos.
Julgamento dos atentados ou da tortura? No balanço global da sessão, foi este o tema que se tornou central e que, tudo indica, num processo que se anuncia longo de pelo menos um ano, pode vir a ofuscar os atentados de 11 de Setembro.

Tal como a advogada de bin Attash, o advogado David nevin, que representa o principal acusado, Khalid Scheich Mohammed, afirmou, segundo citação de DER SPIEGEL, que o seu cliente fora "submetido a intensa tortura durante anos". Aí foi também afirmado que todos os réus haviam sido raptados pela CIA, internados em prisões secretas e torturados nesses locais.

Khalid Scheich Mohammed passa por ser o "cérebro" dos atentados, que terá proposto a ideia a Bin Laden e dele obtido, finalmente, a aprovação. No processo, ele revela-se pelo menos como o mais elaborado dos cinco réus, tendo começado, em audiência de Janeiro de 2009, por afirmar que considerava bem vinda uma eventual pena de morte e pedindo até a sua rápida execução; mas mudando agora, visivelmente, de estratégia, no sentido de fazer prolongar um julgamento caótico, que contribua para desacreditar os julgadores.

A estratégia de apostar num julgamento interminável é indissociável dessa outra, de colocar o tema da tortura no centro das sessões. Assim, cada vez que os réus sejam confrontados com alguma confissão ou documento assinado por eles, é de contar com o tipo de resposta já esboçado nesta primeira sessão: que todas as assinaturas lhes foram extorquidas sob tortura.

É bem conhecida a divergência entre as Administrações Bush e Obama sobre o que se define como tortura, considerando a primeira o waterboarding (submersão da cabeça do preso em água) como método legítimo de interrogatório, ao passo que a Administração Obama passou a considerá-lo tortura e a proibi-lo. A contradição reside em ser agora um tribunal instituído sob a Administração Obama que vai julgar o caso e se verá com falta de provas sempre que invocar assinaturas obtidas por esse método.

Khalid Scheich Mohammed podia, assim, ter pressa em ser executado em tempos, ainda, de Administração Bush, mas prefere agora um processo longo, em que cada dia lhe permitirá trazer novamente à baila denúncias de tortura que, com os seus próprios critérios, a Administração Obama não pode deixar de admitir como certas.
Juristas críticos sobre o processo Steven Kay, um especialista de direito criminal citado por Al Jazeera, comenta a este respeito que "declarações obtidas por coacção não podem ser usadas como prova (...) Receio que todo o assunto tenha ficado fora de controlo desde que George Bush introduziu os julgamentos militares. Se os americanos tivessem ido pelo caminho impo e ortodoxo ao lidar com estes suspeitos de terrorismo, e se tivessem usado um sistema de justiça coerente, racional e baseado em princípios sãos, não estariam metidos no sarilho em que estão agora".

Na verdade, a Administração Obama já anteriormente tentara passar a jurisdição do caso dos tribunais militares para os civis, mas vira essa tentativa cair vítima de uma maioria hostil na Câmara dos Representantes. Com a tentativa caíra também a promessa eleitoral de Obama, de encerrar a controversa prisão de Guantánamo.

O procurador responsável pela acusação, Mark Martins, tivera de reconhecer também as irregularidades do processo, numa improvisada conferência de imprensa de cerca de meia hora, em que garantiu que iria ignorar todas as confissões obtidas sob tortura. O processo torna-se um factor de embaraço para Obama, numa pré-campanha eleitoral em que teria preferido apresentar um registo de direitos humanos em mais clara ruptura com o consulado de George W. Bush.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Êxitos da Apple: tecnologia e sonegação "legal"

Quando eu disse aqui que Cachoeira, com seu capataz Cavendish, não passava de um "empresário" propenso a exagerar na dose da "eficácia competitiva" que faz a pauta dos gestores do grande capital, alguns podem ter se espantado - aqueles que acreditam no "capitalismo compatível com sustentabilidade", proclamado pelas caríssimas campanhas publicitárias de bancos e empreiteiras.
Está aí a APPLE para confirmar minha avaliação, como mostra a matéria do LeMonde em anexo. Para além da tecnologia, muita competência na sonegação de impostos, à custa de trabalho em países de mão de obra super explorada, e consequente sonegação de impostos na matriz.
O que não chega a ser novidade.
Lá nos anos 80, o ainda jovem Rodrigo Rangel, filho do saudoso Flavio Rangel, já explicava no caderno de Informática do Globo a razão principal do grande sucesso da então já exitosa Microsoft, desiludindo os que pensavam encontrar a reveleção de algum "insight" tecnológico. O sucesso da Microsoft se devia à capacidade de Bill Gates de operar na margem da ilegalidade, sem nunca ter sido alcançado pelo Fisco.
O milagre se repete agora:

"L'optimisation fiscale", pratique courante des géants du numérique

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Apple, dont une longue enquête du New York Times dévoile la stratégie fiscale, est loin d'être la seule entreprise du secteur des nouvelles technologies à avoir recours à des pratiques - parfaitement légales - de "délocalisation fiscale" leur permettant d'économiser des milliards d'euros d'impôt chaque année.
Principal point commun de ces entreprises qui ouvrent des filiales au Luxembourg, en Irlande, dans le Nevada ou dans les îles britanniques : elles vendent des biens et des services dématérialisés - fichiers musicaux, publicités ou logiciels - qui leur permettent de choisir les pays les plus avantageux fiscalement comme "tête de pont" vis-à-vis du fisc.
  • Quelles sont les techniques utilisées ?
La filiale au Luxembourg. C'est l'une des techniques utilisées par Apple : le siège du magasin en ligne iTunes, par exemple, est situé au Luxembourg, où un simple bureau avec une boîte aux lettres permet à la firme de bénéficier d'une TVA à 15 % sur l'ensemble de ses ventes digitales. De très nombreuses autres sociétés américaines ont ouvert une filiale au Luxembourg : Amazon, eBay, ou plus récemment Netflix. Plus intéressant encore : la TVA sur les livres numériques est passée à  3 % au premier janvier dans le duché.
Le siège européen irlandais. La quasi-totalité des entreprises du secteur ont choisi l'Irlande pour leur siège européen. Population anglophone, présence de l'euro, qualité de vie et surtout fiscalité clémente ont attiré Google ou Facebook, avec un impôt sur les sociétés fixé à 12,5 % (contre 33,3 % en France). Même les entreprises qui ont établi leur siège européen hors de l'île - Microsoft Europe est située à Issy-les-Moulineaux, près de Paris - y ont ouvert des filiales permettant d'alléger leurs impôts.
Le "double irlandais" et le "sandwich néerlandais". Derrière ces noms ésotériques se cachent deux techniques de transfert de chiffre d'affaires qui tirent parti de certaines faiblesses dans les fiscalités américaines ou européennes. Le principe consiste à utiliser deux sociétés irlandaises, l'une établie dans le pays et l'autre établie dans un paradis fiscal, et à profiter de l'absence de taxes sur certains transferts - notamment par le biais d'une troisième filiale, néerlandaise ou luxembourgeoise - pour échapper en grande partie à l'impôt. La technique est notamment utilisée par Google ou Apple (Facebook a ouvert des filiales dans les îles Caïman et en Irlande qui laissent supposer qu'il souhaite appliquer également cette technique).
Le Nevada et les exemptions locales. Au sein même des Etats-Unis, la fiscalité peut grandement varier : l'impôt sur les sociétés y est en moyenne de 7,5 %, mais fluctue de 12,5 % à... 0 % en fonction des Etats. Le Nevada, le Dakota du Sud, le Texas, l'Etat de Washington et le Wyoming ne prélèvent ainsi pas d'impôt sur les sociétés - une pratique notamment mise à profit par Microsoft. Et lorsque les Etats mènent une politique fiscale qui déplaît aux sociétés, il leur est facile de "délocaliser" leur siège dans un autre Etat, ou de faire du chantage : Amazon a ainsi utilisé l'arme de l'emploi local contre la mise en place d'une taxe sur les ventes au Texas. Un accord a finalement été trouvé entre l'entreprise et l'Etat. Et au niveau local, les municipalités californiennes rivalisent en matière d'exemptions fiscales pour tenter d'attirer - ou de consever - le siège de Twitter ou d'autres réseaux sociaux.
  • Quelle marge de manœuvre pour les Etats ?
Pour les Etats-Unis, le manque à gagner est colossal. D'après certains experts, la seule optimisation fiscale d'Apple aurait fait perdre l'an dernier 2,4 milliards de dollars au fisc américain (pdf). Fin 2011, le fisc américain avait ouvert une "enquête de routine" sur les pratiques fiscales de Google ; le moteur de recherche fait également l'objet d'une enquête du fisc français.

Avec la crise économique et les déficits budgétaires, les états semblent décidés à ne pas baisser les bras. Au Texas, Amazon a finalement accepté de payer 269 millions d'arriérés d'impôts, après un bras de fer de plusieurs mois.
En France, PS et UMP s'accordent sur le fait que la fiscalité des géants du Web doit être durcie. Le Parti socialiste veut renégocier les conventions fiscales européennes et internationales pour imposer davantage les groupes basés en Irlande ou au Luxembourg. De son côté, l'UMP privilégie un double mécanisme : le statut "d'établissement stable virtuel", qui permet d'imposer les ventes d'une multinationale effectuées sur le sol français, et le "cycle commercial complet", qui permet d'éviter qu'une vente soit intégralement effectuée en France à l'exception de l'encaissement, redirigé en Irlande ou ailleurs.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Uma CUT desqualificada, superada pelo movimento estudantil não cooptado

A desmoralização e esvaziamento da CUT, e o cumprimento das tarefas de mobilização social concentradas no movimento estudantil não cooptado pelo governo das classes dominantes. Embora se traçe um mesmo diagnóstico, não é da CUT brasileira que se trata, mas da chilena. Que atravessa crise de identidade e filiação pelas, coincidentemente, mesmas razões políticas e sociais da sua correspondente brasileira.
A outrora combativa central sindical, braço fundamental na sustentação do governo da Unidade Popular, se estiolou a partir da derrocada de Pinochet, por conta da transição pelo alto que gerou a Concertación - aliança da DC que estivera no golpe contra Allende e um neoPS. Ou seja, um PS pragmático e reduzido ao melhorismo, que não tocou nos pontos fundamentais da política neoliberal da ditadura -.
Por via de consequência, fez da CUT chilena aquilo que o neoPT fez da CUT brasileira - uma central sindical acomodada, com seus dirigentes se locupletando nas sobras da "produtividade" do grande capital. Por sorte, o Chile não viu suas lideranças estudantis mergulharem na mediocridade que o PCdoB impôs ao se apoderar de uma UNE transformada em agência comercial de carteiras para meia-entrada.
Conduzida pela liderança realmente comunista de Carmem Valejos (dirigente da Juventude do PC chileno). aparece hoje como a alternativa de combate ao governo do pinochetista Piñera, com mobilizações contra a manutenção do caráter privado da educação, imposto pela ditadura fascista, e mantida pelos governos da Concertación.
O que deveria servir de reflexão aos sindicalistas da CUT, hoje transformados em burgueses bonachões, limitados a tratativas com o grande capital, no benefício de quem disputam privilégios tributários como forma de garantir salários de aristocracia operária a seus filiados, no prejuízo do povo trabalhador como um todo, segue na matéria anexa, do Clarin, do Chile 

El ocaso de la CUT

Lunes, 30 de Abril de 2012 10:28 Juan Pablo Cárdenas S
marcha_trab_cfhileLa corrupción de la política tiene su correlato en la descomposición de nuestros referentes sindicales. La misma forma en que se toman decisiones en los partidos y la falta de representatividad de los mismos se reproduce en la Central Unitaria de Trabajadores y otras mínimas expresiones de los trabajadores chilenos.


Lo primero que se debe consignar es que en más de dos décadas de post dictadura, los índices de sindicalización en nuestro país apenas superan el 15 por ciento de la masa laboral. Esto es, que de los 5 millones de trabajadores, menos de 800 mil pertenecen a alguna agrupación sindical. Al mismo tiempo que un porcentaje ínfimo de sindicatos está afiliada a la CUT, entidad que ya no tiene nada de unitaria, ni ejerce liderazgo importante según lo evidencian, incluso, sus paupérrimas convocatorias para conmemorar el Primero de Mayo. Si no fuera por la presencia en éstas de los estudiantes, medioambientalistas y luchadores por los Derechos Humanos, lo cierto es que la concurrencia laboral a las mismas resultaría aún más  bochornosa, en medio de un clima nacional marcado por las movilizaciones sociales, cada vez más masivas y extendidas por todo nuestro territorio.

La CUT es una entidad que le ha resultado muy conveniente a los gobiernos de la Concertación como, también, al actual. Para cada uno de los ministros de Hacienda ha resultado cómodo tener interlocución con dirigentes completamente ilegitimados dentro del mundo laboral y sin capacidad de ejercer presión real para imponer las justas aspiraciones, derivadas de una estrategia política y económica que fomenta el salario paupérrimo, el empleo precario y las colusiones de la clase patronal. La negociación anual respecto del salario mínimo se ha constituido en un trámite cada vez más ignominioso para la dignidad de los trabajadores, quienes en cada oportunidad deben comprobar la distancia existente entre el reajuste que solicitan y el que resulta de la imposición de las autoridades, la decisión de los partidos y los acuerdos parlamentarios.

En el país donde las diferencias salariales son las más pronunciadas del mundo, nuestros representantes sindicales vienen perpetuándose en sus directivas, como lo está la camarilla de dirigentes de la CUT y de otras organizaciones, gracias al arreglo cupular y las cuotas de poder que les asignan los comisarios políticos e infectan sus resoluciones y renuncios. Personajes todos que, sin rubor alguno, administran la alcancía sindical en viajes, suculentos almuerzos y viáticos, tanto que para nadie resulta ya un misterio que los fondos que manejan son el resultado de asignaciones de los gastos reservados del Ejecutivo, como de los sobornos empresariales abiertos o disfrazados que premian su buena conducta y “espíritu patriótico” en consentir siempre reajustes que consolidan el deterioro del poder adquisitivo de la mayoría de los chilenos, especialmente de los más pobres. En esto es que tiene base, seguramente, el reciente acuerdo de “cuello y corbata” entre la CUT y la confederación patronal de la producción y del Comercio (CPC), en que unos y otros han manifestado un conjunto de “voluntades comunes”.

Cuando se reconoce que el sindicalismo chileno vive en estado de crisis es por la incapacidad demostrada por los dirigentes dignos y limpios para imponerse a las maquinarias electorales de sus organizaciones, donde la cupularidad y el autoritarismo es todavía más escandaloso que el que campea en los propios partidos políticos. Mientras que en los verdaderos regímenes democráticos, los procesos eleccionarios de los sindicatos y otras instancias sociales es reglamentada por ley y vigilada por las autoridades y la prensa, aquí éstos se suceden en el más inaudito secretismo, cuanto que  ya es tradicional que las pugnas se resuelvan en la repartición de prebendas y la suscripción de compromisos que prometen renovación y transparencia. El país no sabe de sus registros y procedimientos electorales, salvo cuando trascienden las prácticas del acarreo de votantes, la desaparición de sufragios y el arreglo final mediante pactos celebrados entre cuatro paredes. De esta forma es que la burocracia sindical de la CUT vuelve a urdir sus comicios internos de agosto próximo, donde lo más seguro es que aquellos que todavía creen posible corregir “desde dentro” a las instituciones descompuestas vuelvan a sufrir una nueva y dramática decepción.

Después de tantos años en lo mismo, es preciso dejar morir a las instituciones arcaicas y proponerse nuevos referentes y propósitos. Que busquen, por cierto, una afiliación sindical masiva y un nuevo pacto laboral destinado a consolidar movilización social, negociación colectiva, salarios dignos, previsión segura, así como la recuperación para Chile de nuestros recursos naturales y empresas productivas y estratégicas. Que ponga a los trabajadores a la vanguardia de aquellas organizaciones sociales que le han dicho BASTA al régimen político y económico que nos rige, y suman esfuerzo por hermanar a Chile con aquellos procesos destinados a recuperar soberanía nacional, impedir la concentración de la riqueza e imponer equidad social. 
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domingo, 29 de abril de 2012

França: socialdemocratas não podem repetir vilanias do passado

Reflexão oportuna a do editorialista do Rue 89, portal francês independente, de tendência socialista. Parte de denúncia preventiva que Sarkozy faz contra Hollande, dizendo que ele transformaria a França numa outra edição do fracasso socialdemocrata espanhol, tem lógica. Ocorre que, em 2007, quando nada se revelava ainda das grandes fraudes que a especulação financeira internacional iria revelar no ano seguinte, e onde a política do governo Zapatero ocupava espaço importante na área do euro, Sarkozy então louvava publicamente o modelo espanhol, por estimular uma "sociedade de empreendedores, que recompensa o esforço, o mérito e o risco", típicos de um neoliberalismo privatista.
Sarkozy só esquece de dizer, agora, que o exemplo Zapatero é digno de receio, não por ser um exemplo de administração socialista, mas exatamente por ter cedido ao cantochão neoliberal que levou os socialdemocratas - Tony Blair e sua concepção de 3ᵃVia, na Inglaterra, na sequência de Craxi, na Itália e do próprio Mitterrand do segundo mandato, na França - e darem forma concreta às contra-reformas sociais idealizadas e iniciadas pela parceria trágica entre Reagan e Tatcher, lá no início da década de 80. Ou seja; grande parte da tragédia existencial da Europa de hoje se deve realmente à acomodação ideológica - para não usar o correto termo, traição - dos socialdemocratas.
Que Hollande, tradicionalmente ligado aos moderados do Partido Socialista, vença p 2ᵒ turno, na França, porque derrotar Sarkozy é fundamental. Mas que tenha claro, como diz de forma indireta a conclusão do editorial: a pressão do Front de Gauche, voto decisivo para essa previsível vitória, é para ser considerada e implementada, se não quiser devolver o governo à direita nas próximas presidenciais.

Segue a matéria do Rue 89:


Le trou de mémoire de Sarkozy quand il dénonce l’Espagne de Zapatero

Pierre Haski | Cofondateur Rue89

Nicolas Sarkozy au Parisien ce dimanche :
« Un choix historique s’offre aux Français. La France n’a pas le droit à l’erreur. Les Français regardent ce qui se passe ailleurs : en Grèce, les salaires ont baissé de 22,5 %, l’Espagne vient d’être dégradée et est à 24 % de chômage… Or l’Espagne socialiste de M. Zapatero était l’exemple à suivre pour François Hollande. »
Seulement pour François Hollande ?
Devinette. Qui a dit, en janvier 2007 à Madrid, après trois ans de pouvoir de José-Luis Zapatero ?
« Que la France sans renier aucune de ses valeurs de solidarité et de justice regarde l’Espagne. Elle y verra ce que peut accomplir une société d’entrepreneurs, une société qui libère l’initiative et récompense l’effort, le mérite, le risque. Elle y verra comment la joie de vivre revient avec la réussite économique, comment la créativité revient avec la prospérité, comment le bonheur peut redevenir une idée neuve dans un pays qui l’avait perdu depuis longtemps. “
Deuxième devinette. Qui, à la même époque, vantait le système des subprimes à l’américaine, qui a par la suite précipité l’Espagne dans la crise dont elle paye encore les conséquences ? Vous connaissez évidemment la réponse, même si Nicolas Sarkozy évite de s’en vanter aujourd’hui.
SARKOZY ET LES SUBPRIMES
Une fois ces corrections établies, il reste un fait : l’Espagne et la Grèce avaient à leur tête des chefs de gouvernement socialistes qui ont une lourde responsabilité dans la crise qui frappe leurs pays.
En mars dernier, lors d’une réunion des sociaux-démocrates européens à Paris, il y avait un élément (modeste...) d’autocritique sur cet échec de leurs formations qui, à un moment, ont été en position de peser sur le cours de l’Europe, et ont cédé aux sirènes néo-libérales dominantes.
Au-delà des arguments de campagne de Nicolas Sarkozy, il y a assurément des leçons à tirer pour éviter que, de retour aux affaires, la gauche en France et ailleurs en Europe, ne refasse les mêmes erreurs.

sábado, 28 de abril de 2012

Piratas, partido de indignados alemães da rede, revela proximidades com neonazis

Perigo surpreendente à vista no processo político alemão. O novo partido dos Piratas, surgido da "mobilização na rede" de jovens "indignados", já começa a revelar seus traços de afinidade com o neonazismo borbulhante no III Reich da chanceler Angela Merkel. Comparando sua rápide ascensão nas pesquisas - que o indicam à frente do Die Link (esquerda socialista) e quase superando os Verdes (do farsante Cohn-Bendit, mais um trânsfuga do Mai 68, vendido ao grande capital, no Parlamento europeu) - ao partido nazista de Hitler; e até defendendo a invasão alemã da Polônia, o ponta-pé inicial da II GMundial, seus dirigentes vêm comentendo atos falhos sobre atos falhos.
O que há de fundamental nisso tudo é concluir que jogar nas possibilidades da internet como instrumentos sempre democratizantes é um equívoco. Pelo contrário, o estímulo a esse movimentismo sem eixo - marca principal dos Piratas - é o caminho da aglutinação, para a despolitização, de boa parte da juventude assustada com um futuro sem perspectiva profissional, ou social.
Bom que isso tenha ocorrido agora, no Congresso dos Piratas, para que seus lumpens apóstolos da alienação sejam contidos em tempo útil. Tempo que permita ao DieLink continuar na sua ascensão organizada, programaticamente anticapitalista.
Segue a matéria produzida pela TV 5 francesa, com os detalhes do Congresso e declaração escapatória e vazia de alguns dos dirigentes do Piratas

Les Pirates allemands contestent toute indulgence pour les néonazis

NEUMÞNSTER (AFP) - 28.04.2012 13:31 - Par Aurélia END

Le jeune parti allemand des Pirates n'a pu éviter la polémique sur sa perméabilité aux idées d'extrême droite, qui le met à la Une autant que les sondages flatteurs, au cours de son congrès fédéral samedi.
voir le zoom : Les militants du parti allemand des Pirates réunis à Neumuenster, dans le nord de l'Allemagne, le 28 avril 2012Les militants du parti allemand des Pirates réunis à Neumuenster, dans le nord de l'Allemagne, le 28 avril 2012
DPA/AFP - Angelika Warmuth
voir le zoom : Le leader du parti allemand des Pirates prononce un discours lors du congrès de son parti à Neumuenster, dans le nord de l'Allemagne, le 28 avril 2012Le leader du parti allemand des Pirates prononce un discours lors du congrès de son parti à Neumuenster, dans le nord de l'Allemagne, le 28 avril 2012
DPA/AFP - Carsten Rehder
Le jeune parti allemand des Piratesn'a pu éviter la polémique sur sa perméabilité aux idées d'extrême droite, qui le met à la Une autant que les sondages flatteurs, au cours de son congrès fédéral samedi.
"Nous étions jeunes, mais nous avons écrit un chapitre de l'Histoire", a clamé l'une des figures du parti, Marina Weisband, dans son discours d'ouverture, faisant allusion aux spectaculaires et récents succès électoraux.
Quelque 1.300 militants étaient réunis dans un immense hangar à Neumünster (nord). Certains avaient passé la nuit sur place, dans des sacs de couchage.
La localité choisie pour cette réunion de deux jours ne doit rien au hasard, puisqu'elle se trouve dans l'Etat régional du Schleswig-Holstein, qui vote le 6 mai.
Ce Land rural, pauvre et peu peuplé pourrait être le troisième à voir les Pirates entrer au Parlement régional, après Berlin et la Sarre, et peut-être avant la riche et industrielle Rhénanie du Nord-Westphalie.
Le parti fondé en 2006 est crédité de 9% des intentions de vote au niveau fédéral, ce qui en ferait la quatrième force politique en Allemagne, devant la gauche radicale (Die Linke) et sur les talons des Verts, selon un sondage pour la chaîne de télévision publique ZDF rendu public vendredi.
D'autres pointages les placent même devant les écologistes, auxquels ils sont souvent comparés pour leur spontanéité et leur revendication d'une démocrate plus transparente et directe.
Le but officiel du congrès, rythmé par des votes à main levée avec de petits cartons de couleurs, est d'élire une nouvelle direction.
Mais les débats, devant une assemblée studieuse et majoritairement masculine, dont les regards se partagent entre la tribune des orateurs et les écrans omniprésents des ordinateurs portables, sont assombris par une polémique sur le rapport aux idées d'extrême droite d'une formation qui veut garantir une absolue liberté de langage.
Certains Pirates occupant des responsabilités locales, voire nationales, ont ainsi critiqué sur Facebook le montant des subventions publiques accordées au Conseil central des Juifs d'Allemagne, jugé "légitime" l'invasion de la Pologne par Hitler ou encore utilisé publiquement le terme de "juiverie internationale", associé à l'idéologie nazie.
L'un des chefs de file du parti à Berlin, Martin Delius, a provoqué un tollé en déclarant au magazine Der Spiegel : "La montée du parti des Pirates est aussi rapide que celle du NSDAP (parti nazi) entre 1928 et 1933".
Dans un entretien avec l'AFP, Mme Weisband s'est dite "très irritée" par cette polémique, et en particulier par une initiative de Die Linke. Le parti de gauche radicale, débordé dans les sondages par les Pirates, a placardé aux abords du congrès des affiches portant le slogan : "Ne donnez pas vos voix aux nazis".
"C'est en-dessous de la ceinture", juge la très médiatique Pirate, qui ajoute : "Nous sommes aussi éloignés de l'extrême droite que possible, cela figure dans nos statuts", selon lesquels le parti "rejette toutes tendances totalitaires, dictatoriales et fascistes."
"Le statut n'est qu'un bout de papier", réplique Oliver Höfinghoff, élu des Pirates au Parlement de Berlin, qui considère que la direction "a échoué" dans sa tentative de "s'attaquer à ce problème de l'extrême droite en niant son existence".
"Il faut jeter dehors" et "attaquer en justice" les Pirates qui prennent des positions jugées proches du parti néonazi NPD, sans quoi "c'est comme une invitation à venir chez nous", a-t-il dit à l'AFP.
Le parti des Pirates essaye depuis 2009 d'exclure un membre, Bodo Thiesen, qui a recommandé publiquement les ouvrages d'un auteur négationniste, mais n'y est pas parvenu jusqu'ici, en partie à cause d'erreurs de procédure.
L'actuel chef du parti, Sebastian Nerz, qui brigue un nouveau mandat à sa tête, a rétorqué que de son point de vue il n'y avait "pas besoin d'une prise de position de plus" contre l'extrême droite. "Nous sommes mis sous pression pour le faire, mais nous ne sommes pas obligés de plier", a-t-il dit à l'AFP.

Carta de um elefante ao Rei de Espanha

Repasso, sem delongas, carta de um elefante ao Rei de Espanha, mostrando a generosidade dos animais selvagens em relação às bestas que, armadas de poderosos rifles, transformam o assassinato dos habitantes das florestas - hoje, animais. Ontem, negros e índios - em esporte aristocrático. A correspondência me chegou via a sempre atenta Gilda Arantes.


Su  Majestad, Rey de España:

Soy un elefante de Botswana, el país africano en el que me dicen que su Majestad ha estado recientemente para descansar de sus fatigas, cazándonos en un safari. Los elefantes somos mansos, aunque fieros cuando nos atacan. También nuestros dioses, los de la sabana, son dioses buenos, no vengativos, aunque sí celosos de sus habitantes. Quizás por ello, han querido preservar su vida, importante para su país,  aunque han querido advertirle con su caída y sus fracturas en el campamento desde donde salía para cazarnos, que sería mejor ya para su Majestad que ha  vivido ya más de lo que vivimos uno de nosotros, dedicase su tiempo a otras cosas, en vez de venir a matarnos. Por ejemplo a seguir a esa España que se está desmoronando económicamente, a ese 52% de jóvenes que sufren el aguijón del paro después de tantos años de estudios, o simplemente a disfrutar de ver a los animales correr y divertirse en su habitat natural, pero sin escopetas, con las manos vacía, o mejor, llenas de flores.
Nosotros sabemos que no ha hecho nada ilegal viniendo y pagando muchos miles de euros para matar a uno de los nuestros. Se lo permiten las leyes de mi país. Para muchos, matar animales es como lo era antiguamente cazar a lazo a los negros o indios para esclavizarlos. Pero ¿basta que algo sea legal para realizarlo? Existen también las leyes del corazón, no escritas, las de los sentimientos humanos, que según dicen, por cierto, son superiores a los nuestros y existen ciertos ejemplos que un Rey debe ofrecer de su vida incluso privada.
Su Majestad, desde su primer discurso como Rey, afirmó que quería serlo de todos los españoles. Yo sé que en España hay aún mucha gente que no les importa ver sufrir o morir a los animales y que hasta se divierte observándolo.  Sin ir muy lejos, la Fiesta Nacional de ustedes consiste en poner a un pobre toro a merced del torero, los demás que lo acompañan en el ruedo y un público alegre que grita "olé"ante cada aguijón que le clavan al bravo astado.
 Pero existen también millones, sobretodo de jóvenes, que aman a los animales, que quieren protegerles y conviven con ellos. A esos millones de españoles, no creo que les guste especialmente la imagen de su Rey llegando a África,  nuestro territorio, escopeta al hombro, para distraerse disparándonos sin que podamos defendernos.
Nos han dicho, Majestad, que usted posee una de las mejores colecciones de escopetas de caza que existen. ¿Podemos hacerle una sugerencia? Haga de ellas un museo y anuncie a los españoles, que su Rey nunca más va a matar a ningún animal y que los años que aún le queden de existencia - que le deseamos sean aún muchos más de los que nosotros vivimos, los va a dedicar a distraerse a favor de la vida y no de la muerte. Sabemos que nosotros, los elefantes, como el resto de los animales, no tenemos derechos. Para algunos, nacemos para ser cazados y muertos. Pero queremos recordarle que nosotros no hacemos mal a nadie. Somos sensibles y humildes y hasta nos parecemos a ustedes, los Homo Sapiens. Dicen los zoólogos que somos de uno de los pocos animales que respetamos a nuestros difuntos y de los pocos que saben reconocerse, como los humanos, en un espejo.     Es verdad que quizás para ustedes los humanos los elefantes seamos inútiles, no somos indispensables para nada, pero, no por ello deben tener el derecho de matarnos.
También las monarquías hoy, parecen inútiles para muchos y no por eso se les da caza a reyes y reinas. 
Y hablando de reinas, nos gustaría saber qué piensa su discreta, querida y ¿respetada? reina Sofía de su amor por la caza de elefantes. Ella como mujer y como madre, debe saber que en nuestra organización en la sabana, vivimos un reino matriarcal. Las elefantas organizan y dirigen nuestra comunidad. Son madres amorosas, dan de mamar a sus hijos durante tres y hasta cinco años y sufren como ustedes los humanos cuando se los matan por capricho.
Por último, nos gustaría que sus nietos y biznietos, un día consiguieran divertirse sin necesidad de venir a África a cazarnos y arrancar nuestros colmillos de marfil para adornar los palacios reales con sus trofeos de muerte. Quizás, ni queriendo podrán ya hacerlo porque quedamos sólo 30.000 elefantes en todo el mundo y al ritmo al que nos matan, sus nietos ya no tendrán como hacerlo, porque habremos sido extinguidos. Tendrán que conformarse con cazar cucarachas, que al parecer están en el planeta hace más de un millón de años y resisten hasta a las radiaciones atómicas. Nosotros, no. Somos más grandes, pero más frágiles. Quizás por ello nos amen tanto los niños a quienes les gusta divertirse con nosotros, pero vivos, no muertos.
Sólo me resta desearle, Majestad, en nombre de nuestros dioses, que se recupere pronto del susto que le hemos dado, que no era para asesinarlo, sino para hacerle pensar que sería mejor para su Majestad que a la hora de dejar este Planeta, los elefantes que aún estemos vivos podamos llorarlo en vez de alegrarnos porque ha muerto uno de nuestros verdugos.
Los vientos de la selva son misteriosos, Majestad.
¿Por qué no nos regala sus escopetas en vida?
Con respeto y en nombre de todos los elefantes de Botswana.

        Un elefante al que todavía no han asesinado