Quem sou eu

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Jornalista, por conta de cassação como oficial de Marinha no golpe de 64, sou cria de Vila Isabel, onde vivi até os 23 anos de idade. A vida política partidária começa simultaneamente com a vida jornalística, em 1965. A jornalística, explicitamente. A política, na clandestinidade do PCB. Ex-deputado estadual, me filio ao PT, por onde alcanço mais dois mandatos, já como federal. Com a guinada ideológica imposta ao Partido pelo pragmatismo escolhido como caminho pelo governo Lula, saio e me incorporo aos que fundaram o Partido Socialismo e Liberdade, onde milito atualmente. Três filh@s - Thalia, Tainah e Leonardo - vivo com minha companheira Rosane desde 1988.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ATÉ QUANDO A QUADRILHA VAI MANDAR NO PAÍS? 
12/09/17
 Diante do que é tornado público, quase diariamente, sobre o postiço Temer, como se explica a apatia da população?
Como se explica que não haja uma mobilização de massas diante do Palácio do Planalto?
Vejo e ouço as notícias nos telejornais, pouco depois de acompanhar, pela TV 5 francesa, a manifestação com mais de 200 mil pessoas tomando as ruas de Paris em protesto contra anti-reformas de leis trabalhistas que o governo Macron terá muita dificuldade de fazer aprovar. 
Aqui, à exceção das ocupações do Povo Sem Medo, nada. Mais grave ainda; a Central sindical controlada pelo PCdoB, principal aliado do neoPT, vai ao Planalto para, junto com a Fiesp, patronal corrupta, saudar iniciativas que dizem ter partido do governo golpista para combate ao desemprego.
Falácia permanente, com a sabuja submissão de pelegos sindicais que desmoralizam a idéia do que seja esquerda combativa.
Queiram, ou não, essa alienação explícita é mais uma sequela do longo período em que o lulopragmatismo implementou o Pacto Conservador de Alta Intensidade, na conciliação de classes que impôs desde a Carta aos Brasileiros em 2002.
É difícil, duro, mas Luta que Segue!!
PS1- a propósito da MP dos Portos, nada mais natural. Qualquer um em Brasília sabe, porque nunca foi segredo, que o postiço Temer tem controle de direção das Docas de Santos há décadas.
PS2- O ódio do postiço Temer pelo MO, agora se estende à Polícia Federal? O que vai sobrar?
A TRAGÉDIA TARDIA 
10/09/17
 Essa historieta dominical comprova algo que considero documento histórico comprovante de que o Pacto Conservador de Alta Intensidade com os banqueiros sempre esteve no alvo de Lula. Espero que tendo como fonte Breno Altman, ninguém venha me aporrinhar com minha "fixação em Lula". Façam de conta que estou tratando de Palocci, o outro protagonista da historieta
Last but not least: a historieta comprova também que Dirceu levou rolê do traíra Palocci bem antes de Lula
Breno Altman
HISTORIETA DOMINICAL
Por pouco Lula não tinha liquidado a fatura eleitoral no primeiro turno, ocorrido dia 7 de outubro de 2002.
O alto comando da campanha, liderado por José Dirceu, então presidente nacional do PT, estava reunido no Hotel Renaissance, em São Paulo, discutindo o que fazer nos últimos dias que antecediam o turno final, previsto para o dia 28 de outubro. 
Lula estava na frente em todas as pesquisas, mas a direção petista movia-se com sofreguidão para cobrir qualquer vulnerabilidade ou risco.
Mesmo com a Carta ao Povo Brasileiro, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) continuava a tentar o emparedamento do PT e seu candidato, tratando de carimba-los, ainda que subliminarmente, como irresponsáveis e aventureiros em matéria econômica. 
Os banqueiros exigiam que Lula aceitasse um superavit primário de 5%, sem o qual - afirmavam - o Brasil voltaria ao caos fiscal e inflacionário. 
Na presença de outros dirigentes partidários, Dirceu orienta Antonio Palocci a procurar a Febraban.
- Diga a eles que não há acordo com o que propõem. Lula dará uma declaração de que faremos o máximo superávit primário possível, mas sem comprometer a recuperação do crescimento, o investimento público e as políticas para distribuição de renda. Se quiserem diálogo conosco depois das eleições, que digam publicamente estarem satisfeitos com essa fórmula. 
Algumas horas depois, o futuro ministro da Fazenda voltaria de sua reunião com os bancos.
Para surpresa de todos os que estavam na sala, Palocci confessa estar convencido que os banqueiros tinham razão e defende que o PT aceite os 5% de superávit primário. 
Irritado, Dirceu reage rispidamente:
- Voce saiu para negociar e volta negociado? Foi representar o partido na conversa com os caras ou fala em nome dos bancos aqui dentro?
Palocci fica ofendido e se levanta da mesa, mas continuaria a defender o ponto de vista da Febraban, ainda que sem sucesso.
Mesmo assim, seria o chefe da economia do governo Lula. 
O que nenhum dirigente pode afirmar, no entanto, é desconhecimento do caminho que estava trilhando o homem que hoje trai o PT e se coloca a serviço das mentiras forjadas pela Operação Lava Jato.

domingo, 10 de setembro de 2017

DESEMPREGO CRESCENTE. E PERMANENTE
10/09/17
 É o próprio caderno de Economia do boletim da direita mais reacionária do País que reconhece: boa parte dos empregos liquidados, no mundo e no Brasil, na esteira da crise financeira de 2008, nunca mais serão recuperados.
Está aí, no espaço que o Facebook obriga resumir, uma prova contundente de que, no regime capitalista, quando as crises não servem para rupturas em saltos revolucionários anti-regime, elas operam como verdadeiros freios dearrumação para uma maior concentração de riqueza entre os que ocupam os poucos espaços do vértice superior da pirâmide social.
O DESEMPREGO ESTRUTURAL abala todo o planeta, ao mesmo tempo em que os trilhonários se tornam mais trilhonários ainda.
E não há como não reconhecer que os velhos Marx e Engels continuam mais vivos do que nunca, ao anunciarem aquilo que Rosa Luxemburgo resumiu de forma contundente. É o Socialismo ou a Barbárie.
Com o avanço tecnológico concentrado em propriedade privada, longe de servir à fusão de progresso com melhores índices de desenvolvimento humano; de menos trabalho obrigatório e mais tempo livre para cada habitante do planeta, esse avanço serve para a produção de uma cada vez maior e mais desesperançado exército de reserva. Para a geração de um número cada vez maior de seres humanos vendendo sua força de trabalho a preço mais reduzido, no limite da garantia da sobrevivência, e erguendo as mãos aos céus por terem o emprego que os massacra e aliena como garantia do pão diário.
Vale como comprovação uma declaração contida na própria matéria do jornalzão:
É de Otaviano Canuto, diretor do Banco Mundial: "Junto com uma recessão há uma crise estrutural. Há pessoas que seguirão desempregadas mesmo com a recuperação econômica. Infelizmente, o mesmo deve ocorrer no Brasil, o emprego não vai voltar ao que era antes".
A SAÍDA, ONDE ESTÁ A SAÍDA?? - Não há alternativa. Ou o mundo do trabalho reúne o que ainda tem de força coletiva para brecar a sanha predatória crescente do grande capital, ou vamos para a inevitável barbárie prevista numa frase histórica de Einstein: "A Terceira Guerra Mundial, não serei como será. Mas a quarta, entre os poucos sobreviventes, será a pau e pedras".
Luta que Segue! contra a hegemonia predatória e anti-humana do grande capital.
LAMENTÁVEL OU LÓGICO? -
10/09/17
 Lamentável não é o depoimento de Palocci. Lamentável para mim é o tratamento que a cúpula neoPTista - e alguns que me são caros - estão lhe dando.
Porque tal depoimento apenas corresponde ao comportamento de alguém que, originário da sectária Libelu, se manteve no partido a despeito de ter transformado seu sectarismo, dito de esquerda, em afeto crescente ao "mercado" do crime organizado protegido pela lei. Na linha do que fez Demetrio Magnoli, um dos quadros orgânicos da direita intelectual neste sub-País.
Dizer que Palocci agiu por pressão ideológica é fazer de conta que não o conhece. Quem, por pressão ideológica, age com a frieza do dito cujo em frente a Moro? E responde no bate-pronto à pegadinha medíocre do advogado que tentou pega-lo em contradição com o primeiro depoimento?
Concentrou-se nas denúncias sobre Lula em atos que ouviu dizer mas também em auto-reconhecimento naqueles dos quais participou?
É fato.
E é claro que se não revelou as patranhas das quais foi cúmplice - como as benesses à Rede Esgoto em 2003 - é porque isso guarda para quando fechar o acordo da deflação premiada. Se dissesse tudo agora, quem lhe garantiria benesses no julgamento final? Entregou as unhas para provar que está disposto a entregar os dedos.
ZÉ DIRCEU - Estou entre os que estabelecem tratamento distinto a Dirceu. Enriqueceu, sem dúvida, por conta das consultorias que obteve em função de seu peso na aparelho de Poder. Mas tenho certeza que se mantém ideologicamente no campo da esquerda. E o digo com a legitimidade de quem contra ele e Lula disputou duas vezes a presidência do PT, com resultados modestamente bem expressivos.
Batíamos de frente quanto ao caráter das alianças políticas que deveríamos fazer quando da chegada ao Planalto. Eu, mantendo a coerência de um programa anticapitalista, democrático-popular em sua fase inicial, e ele com a visão de que havia que estende-las ao centro da política tradicional, dentro da ordem.
Mas eram visões táticas distintas, dentro de um mesmo objetivo estratégico; a construção de um outro regime.
Não é o caso de Palocci que, desde a sua prefeitura em Ribeirão Preto, mesmo antes do advento neoliberal do mandriando FHC portanto, já flertava com o grande capital, na privatização de serviços públicos. Não é o caso de Palocci que, substituindo Celso Daniel na coordenação da primeira campanha vitoriosa de Lula, reverteu o sentido de controle severo do sistema financeiro privado então proposto por uma leniência sem peias, que se consolidou na Carta aos Brasileiros e nas primeiras medidas tomadas na parceria criminosa com Meirelles, já então como ministro.
Diante disso, sugiro um pouco mais de moderação nos lamentos pela "pressão psicológica" a que teria sido submetido Palocci para chegar à traição de Lula, seu amigo dileto mais do que simples parceiro político.
Pressão psicológica vem sofrendo continuamente o povo trabalhador, pelo abandono programático, do que havia sidoprevisto no último Congresso do saudoso PT antes da chegada de Lula ao Planalto. Congresso onde se prometia a desconstrução do modelo neoliberal tucano no primeiro parágrafo da Resolução vencedora. E não a continuidade, potencializada, do que antes era estabelecido pelos economistas da PUC.
O resto é o resto, consequente de uma visão de poder pelo poder sem incomodar os verdadeiros donos do Poder.
Luta que Segue!!
PAUTAS IDENTITÁRIAS COMO ÁLIBI DA DIREITA - 
09/09/17
Tento me conter mas não consigo. Já havia flagrado Cristiane Brasil interrompendo debate sobre a Lei Orçamentária para, da tribuna do covil parlamentar, fazer discurso veemente sobre a violência que campeia contra as mulheres. Vejo-a agora na, propaganda partidária pela TV, fazendo a defesa da tese, muito justa, que as mulheres passem a ter porcentual paritário na representação parlamentar, e não apenas nas listas de candidatas a serem batidas em campanhas.
Sou obrigado a reconhecer que essa senhora faz uma reivindicação oportuna e correta. Mas sem, lamentavelmente, deixar passar que ela votou pelo impeachment de Dilma; que ela votou a favor de todas as propostas anti-sociais do governo golpista; que ela votou contra a abertura de investigaões sobre maracutaias noturnas e subterrâneas de Mixel Usurpador, parceiro de Geddel, Eliseu Quadrilha, Jucá, Sarney, Eduardo Cunha e tudo o mais que houver de desabonador na representação política desse sub-País. 
Aliás, sou obrigado a lhe reconhecer coerência genética na defesa de justas pautas identitárias. Seu pai, Roberto Jefferson, presidente do PTB a despeito de ser um ex-presidiário por corrupção, foi quem relatou e promoveu avanços no projeto da então deputada petista Marta Suplicy - durante o mandarinato neoliberal de FHC - sobre a união civil de pessoas do mesmo sexo. Repito, relatou e promoveu avanços em relação ao original da que se considerava ousada deputada petista.
CONCLUSÃO PARA ABRIR A POLÊMICA - O que pretendo com tais assertivas?
Pretendo apenas reafirmar algo que escapa a uma parte expressiva da esquerda, por conta de pautas identitárias postas em prática por expoentes da direita, terminando por marchar de braços dados com expoentes da direita reacionária, ao não levarem em conta o veneno dessa aliança conjuntural quando limitada à luta isolada da questão essencial maior: a impossibilidade de construir algo realmente positivo e eficaz na extinção das raízes de tais problemas.
Tais pautas, desvinculadas da denúncia permanente do regime gerador das mazelas que elas denunciam, da luta de classes contra o grande capital, vão apenas permitir que tais mazelas continuem se repetindo incessantemente.
Pautas identitárias em luta fragmentária, isolada, terminam, na verdade, por se transformar em álibis para as mais bárbaras perversidades que a desigualdade social crescente só faz se potencializarem. Só vão se servir para a promoção de arrivistas da direita mais reacionária, que nada têm contra elas, desde que não toquem na hierarquia social conservadora que defendem. Isso, quando não se transformarem, inclusive, em confrontos com militantes de outras pautas identitárias de fundo teórico distinto, mas com características e razões teóricas distintas.
Estou aberto ao debate democrático; não aos grunhidos ofensivos.
Luta que Segue!!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

UM PSOL CONTRA O CAPITAL
190716

“Os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”, já afirmava Marx no seu insuperável “18 Brumário”, obra em que analisou  raízes e sequelas de equívocos da Revolução de 1848, na França.
 “Nossa situação agora é diametralmente oposta à do Século XX, quando sabíamos o que queríamos fazer (ditadura do proletariado, etc.), mas precisávamos esperar com paciência  o momento certo em que a oportunidade se ofereceria. Agora, não sabemos o que fazer, mas temos de agir, porque as consequências de não agir podem ser catastróficas”, conclui Slavoj Zizek, no seu “Primeiro como tragédia, depois como farsa”, recuperando a premonitória Rosa Luxemburgo, com seu aviso dramático: “Socialismo ou Barbárie”. E optando, no dilema proposto por Gramsci, pela afirmação do otimismo da vontade na convivência com o pessimismo da razão. .
Não; não se trata da abertura de um abstrato catecismo de citações doutrinárias. Trata-se de uma lembrança didática de referências emitidas em tempos históricos distintos,  fundamentais para o debate sobre tática e estratégia de um partido que se pretende de esquerda, anticapitalista, socialista. De um partido que se pretende parte de uma alternativa reativadora do que foi perdido no Pacto Conservador de Alta Intensidade dos anos do mandato de Luis Inácio Lula da Silva.
Um Pacto que, por sua irrealizável estratégia de “governar para todos sem incomodar ninguém”, típica de uma mentalidade sindical pragmática transferida para  a política de Estado, terminou por se afirmar como raiz de ceticismo atual, em amplas camadas outrora comprometidas com anseios de transformação qualitativa de nossa realidade. Raiz do que foi perdido na oportunidade desperdiçada de impor reformas progressistas estratégicas; todas  jogadas para escanteio por conta de uma política limitada a mitigar necessidades imediatas, sem apontar desdobramentos  estruturais, geradores de um mais alto nível de consciência ideológicas nas massas atingidas.
Porque ao fim e ao cabo ficou claro tratar-se de um pacto que manteve os privilégios do grande capital em sua tríade mais expressiva – bancos, empreiteiras e agronegócio – , compensados por um Reformismo Fraco, voltado para os segmentos mais miseráveis da população. Um pacto que garantia a cobertura de 11 milhões de família com uma Bolsa cujo custo anual se igualava ao lucro dos dois principais bancos privados em apenas nove meses desse mesmo período.
Pois, afinal, quem afirma governar para todos, aos seus certamente está  traindo.
CENÁRIO DO CONFRONTO
Tarefa hercúlea, portanto, para uma esquerda combativa, pois a conjuntura atual não é favorável a um tal projeto como aquela que, por exemplo, propiciou a fundação e a consolidação do PT.
A luta pelas Diretas, na disputa recente contra o governo golpista do PMDB, PSDB e seus acólitos, não chegou perto da mobilização nacional dessa campanha quando do fim da Ditadura.
O movimento sindical fragmentado, com ampla influência do sindicalismo de resultados, não nos oferece uma base social combativa, semelhante à que foi propiciada ao nascimento e desenvolvimento do PT na aurora dos anos 80, com o nascimento e afirmação combativa da hoje acomodada CUT. E mais; com tempo de TV nos horários políticos, instrumento fundamental para a divulgação de programas e propostas, então igual para todos, atualizado por um verdadeiro massacre de desigualdade em favor de legendas da pior política.
Quanto ao contexto internacional a polaridade ideológica EUA x URSS era obstáculo incontestável à possibilidade de que o imperialismo e seus cúmplices internos pudessem nadar a favor da corrente em defesa de um modelo econômico condicionado pela manutenção dos privilégios do grande capital como hoje ocorre. O neoliberalismo mal nascia, e longe daqui.
Mais ainda, não temos o cenário de proximidade ideológica na luta que, naquela conjuntura, tornava o confronto Reforma x Revolução parte da rotina permanente das assembleias daquele saudoso PT. 
Nem de perto. Pelo contrário. O que ainda nos obriga a ouvir  formulações sobre o tema quando vindas de declarações surpreendentes por parte de luminares do grande capital globalizado;
“Sim, estamos numa luta de classes. E nossa classe está vencendo” é o desabafo transparente de Warren Buffet, o segundo homem mais rico do mundo, embaralhando as escusas dos que, outrora militantes combativos, se desviaram para uma pós-modernização da política, tentando negar a dicotomia esquerda/direita.
Num tempo de ascensão de pautas identitárias em sua visão liberal, e de pressão reducionista contra o conceito reconhecido por Warren Buffet, mas que também seria subscrito por George Soros, seu grande rival;  num tempo de esforços desmedidos para a despolitização da política através, principalmente, da imposição da horizontalidade movimentista contra o caráter orgânico, vertical, do partido político, os trechos  citados são portanto essenciais para nutrir o debate sobre a questão que se impõe:
POR QUE E PARA QUE NECESSITAMOS DE UM PSOL?

Sim, por que diante do conceito leninista, sempre atual para a esquerda revolucionária, de que a ação se determina a partir da análise concreta da situação concreta, nenhum debate mais profundo, que anteceda o estabelecimento de táticas e de precisão sobre o objetivo estratégico de um partido político pode se omitir de resposta a essa pergunta.
Não pode se omitir principalmente se levamos em conta esse contexto citado acima, em que um  dito “neoliberalismo progressista” pretende se impor invadindo mentes e corações de segmentos que, décadas atrás, não hesitavam em sua vinculação com a luta anticapitalista. E que hoje abrigam suas guinadas numa afirmação tentada há mais de um século sobre o fim da dicotomia direita/esquerda.
Uma negação que Daniel Bensaid, sempre lúcido revolucionário referencial, enfrenta nos teoremas e corolários do seu “Os Irredutíveis”, afirmando que “a política é irredutível à ética e à estética”, tanto quanto “a luta de classes é irredutível às identidades comunitárias”. Ousadia que vem na linha de outro pensador inquestionável, seu antecessor no embate revolucionário, George Lukacs, no seu indispensável “História e Consciência de Classe” – ao afirmar que “a totalidade é a categoria fundamental da realidade”.
Ou seja, o que vem de Luckacs e Bensaid é que tanto os partidos necessitam dos movimentos da sociedade civil progressistas, quanto estes necessitam dos partidos no contexto atual em que as deliberações definitivas se dão, incontestavelmente, e a despeito do que isso tenha de pouco romântico, no plano de lutas institucionais.
Mas o que vem de Zizeck é que nos anima, por ilustrar , nos exemplos de Bernie Sanders, Melenchon, Jeremy Corbyn , Pablo Igesias e, mais próximo a nós, Evo Morales, a eficácia da transparência na radicalidade anticapitalista de suas campanhas e propostas, como eixo da amplitude de suas influências políticas. Na aposta ousada no otimismo da vontade.
Não é pouca coisa, neste início de século em que idéias e conceitos fundados em Marx e seus protagonistas posteriores eram dados como mortos. Não é pouca coisa neste período mais recente, em que a ascensão de correntes que se julgavam definitivamente extirpadas com o fim da II Guerra Mundial, ameaçassem retorno acintoso em vários países da Europa.
Vale considerar um dos processos pelo que traduz de inimaginável quando de seu começo, para ilustrar a formulação. Quem conhece minimamente a realidade americana religiosamente conservadora,  no máximo liberal, só compreende o espaço ocupado por  Sanders se concordar que a extrema ousadia da vontade se impôs , sem perder os limites da razão, no estabelecimento da linha de campanha, claramente anti-WallStreet. Claramente anticapitalista.
Essa experiência nos Estados Unidos, assim como as da Europa e a da América do Sul, é que nos deve servir de norte. E há razões objetivas na realidade brasileira.
NOSSA REALIDADE
Vivemos um momento “interessante” no que isso pode significar de perigoso e, simultaneamente, esperançoso., já que o quadro é menos preocupante do que o desenhado nas mobilizações pelo impeachment de Dilma. Naquele então, uma direita reacionária, truculenta, se afirmava, confirmando-se nos aterrorizadores resultados das eleições municipais,  principalmente no Rio e em S.Paulo.
Não é esse o quadro atual, embora ainda não tenhamos o que festejar. Houve o golpe. Mas não houve ascensão institucional do fascismo, a despeito do factoide bolsonariano que, assim como seus correspondentes internacionais, não passa de um fenômeno condicionado à sua limitada capacidade mental quando se iniciam os verdadeiros debates decisivos.
Dito isto, passemos às alternativas concretas, e à determinação de caminhos e instrumentos para a materialização de propostas anticapitalistas no nosso contexto.
UM ANO DA MAIOR IMPORTÂNCIA
2018 será um ano decisivo. Ano em que, para além da renovação dos parlamentos legislativos da União e dos Estados, nos defrontamos com o único momento em que movimentos sociais e Partidos se concentram no debate que corre o País de norte a sul sobre modelo de sociedade; no debate sobre regime e modelo de sociedade sob o qual queremos viver.
É o momento da disputa presidencial.
Preocupação eleitoreira? Não. Disputa concreta sobre o espaço que se oferece para a conquista de hegemonia no controle do aparelho do Estado. Caminho institucional que pode abrir caminhos para a desconstrução e superação do regime capitalista, sob o qual não cessamos de abrir atalhos para a barbárie. Momento em que, como sempre afirmou Melenchon em suas campanhas, devemos transformar o voto do escrutínio secreto em ferramenta revolucionária.
Nas  hipóteses que se apresentam, o PSOL vive um momento de extrema responsabilidade. Pelo desempenho extraordinário de suas bancadas parlamentares, com especial importância da federal por conta dos grandes temas que enfrentou e enfrenta, a legenda se tornou maior do que a sua própria estrutura interna permite abarcar.
Mas tal expressividade não suplanta o que a realidade objetiva impõe. É o debate determinante, sobre modelo de sociedade que o povo brasileiro vota na eleição presidencial. Na conjuntura atual, decisão sobre como entramos nessa campanha não depende apenas de nós, se nos propomos à grande política e não somente às quizílias internas, sem levar em conta fatores determinantes alheios a nosso controle. O trecho do “18 Brumário” citado na abertura nos ensina. Ou seja; o cenário do embate não pode deixar de levar a conta o item fundamental  para a deliberação final: a presença, ou não, de Luis Inacio Lula da Silva na disputa.
CAMPANHA PRESIDENCIAL e PROPOSTAS
LULA SERÁ CANDIDATO? Se for, é para compor com o que chama de “centro”, personificado em reacionários sob investigação, tais como Renans e Meirelles. Pelo que tem sido tornado público, principalmente por sua intervenção no congresso do PT, em junho, a perspectiva não é alvissareira. A forma como se empenhou na imposição do nome de Gleisi Hoffman para a direção do partido, contra a candidatura de Lindbergh Farias, que como senador não votou projetos regressivos enviados por Dilma, deixou isso ainda mais evidente
Por seu próprio discurso, mas principalmente pela rápida saudação de Gleisi, fica claro que no passado não se toca. Nada a corrigir; só a proteger.
Por esse caminho,  o PSOL tem a obrigação de lançar uma candidatura própria, que traduza de forma transparente um programa anticapitalista, naquilo que hoje se apresenta como necessidade inadiável. É obrigação, contra qualquer ameaça de busca de um “mal menor”, que a história recente tem comprovado ser apenas o caminho para o mal com nosso aval. Um nome capaz de dar luz a promessas exequíveis, mas sem fugir ao confronto com os mantenedores, explícitos ou dissimulados, do status quo.

Democratização dos Meios de Comunicação que operam sob concessão de Direito Público - Rádios e TVS- ; Reforma Política democratizante, abrindo espaços aos controle social do aparelho do Estado; Reforma Tributária que cancele as isenções dadas aos maganos e estabeleça uma verdadeira justiça distributiva de encargos e o estabelecimento de controle sob o sistema financeiro privado, cortando-lhe asas no domínio que exerceu, desde a vaga neoliberal de FHC até os dias atuais, sobre o Banco Central. Cancelamento de todos os projetos regressivos dos governos Dilma e Michel Temer.
Esses seriam itens básicos, que pautariam nossa candidatura como alternativa à esquerda..

MAS SE LULA NÃO FOR candidato, o lançamento de candidatura própria do PSOL não se justifica. Pode assumir caráter divisionista, pois dificilmente qualquer candidato da legenda conseguiria se transformar em polo aglutinador da esquerda contra uma candidatura apoiada por Lula. Ciro Gomes, para citar o mais provável.
Nesse caso, o PSOL se afirmaria como referencial, se tivesse a ousadia de oferecer sua legenda a uma candidatura externa. Uma  candidatura de um nome expressivo do movimento social, ao qual o partido forneceria uma "filiação democrática". Uma filiação que deixasse claro a colocação da legenda à disposição de uma candidatura de toda uma esquerda disposta ao combate real contra os avanços da direita. Uma candidatura que atraísse a base social do PT, tanto a ativa quanto a que se afastou por ceticismo, e que não aceitaria mais uma aliança com um “centro” idealizado por Lula . E que mobilizasse a sociedade civil organizada em suas diversas correntes fora dos partidos políticos.
O PSOL, sozinho, e independentemente dos excelentes nomes que poderia apresentar, não seria o polo aglutinador. Um nome saído do movimento social, sem filiação partidária anterior, seria o ideal.
Para tanto, teríamos que ter a visão corajosa da Grande Política. Sem se perder em quizílias internas. Sendo radical na visão da prioridade da luta de classes efetiva contra a direita reacionária, com objetivo claro de consolidar o campo de esquerda, contra uma direita que, certamente, não terá nomes expressivos para garantir vitória antecipada, como até bem pouco cogitava.
Só depende de nós.
Luta que Segue!!