Quem sou eu

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Jornalista, por conta de cassação como oficial de Marinha no golpe de 64, sou cria de Vila Isabel, onde vivi até os 23 anos de idade. A vida política partidária começa simultaneamente com a vida jornalística, em 1965. A jornalística, explicitamente. A política, na clandestinidade do PCB. Ex-deputado estadual, me filio ao PT, por onde alcanço mais dois mandatos, já como federal. Com a guinada ideológica imposta ao Partido pelo pragmatismo escolhido como caminho pelo governo Lula, saio e me incorporo aos que fundaram o Partido Socialismo e Liberdade, onde milito atualmente. Três filh@s - Thalia, Tainah e Leonardo - vivo com minha companheira Rosane desde 1988.

sábado, 8 de outubro de 2011

Gendarmeria chilena apoia estudantes

Chapa esquentando para Piñera. Gendarmes, que apoiaram Pinochet, juntamente com Piñera e seu irmão (que foi ministro do ditador), fazem autocrítica na prática, e anunciam apoio às manifestações estudantis lideradas pela dirigente juvenil comunista, Camila Vallejos. E Piñera? Vai continuar tentando criminalizando o movimento, como anunciou sua "intendente" em Santiago? E a ONU, continuará omissa?
radio.uchile.cl
En un comunicado público, la dirigencia de Suboficiales y Gendarmes adhirió a la marcha convocada por la Confech este jueves, ...

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

BRASIL AJUDA ISRAEL A INVADIR NOVAMENTE O SUL DO LÍBANO

Navio da Marinha participará de missão de paz da ONU para auxiliar no controle das fronteiras e evitar a entrada ilegal de armas no país árabe


Roberto Godoy, de O Estado de S.Paulo
A fragata F-45 União, da Marinha do Brasil, parte na quinta-feira, 6, da Base Naval de Mocanguê, em Niterói, levando 300 militares para participar da Força-Tarefa Naval das Nações Unidas no Líbano. A missão é complexa: garantir a paz e a segurança no sul do país e “auxiliar no controle das fronteiras de modo a evitar a entrada ilegal de armas e materiais correlatos”, de acordo com o almirante Sávio Nogueira, comandante da Força de Superfície.





Nota dos Editore


Lembram-se da tentativa de Israel de ocupar o sul do Líbano há poucos anos atrás? As forças bem armadas israelenses não conseguiram entrar 30 km no território libanês. Foi a primeira grande derrota militar do expansionismo sionista. O Hezbollah pôs para fugir as tropas invasoras. Agora, o "progressista" governo brasileiro, na obsessão por uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU e para fazer média com as grandes potências imperialistas manda uma fragata para impedir que o Hezbollah se defenda para que, desta vez, as tropas sionistas não tenham que sair correndo!
Leiam este excelente artigo do jornalista e escritor Duarte Pereira:

 Não pode ser livre um povo que ajuda a oprimir outros povos
 (Duarte Pereira)
Nos últimos anos, as grandes potências imperialistas, manipulando as Nações Unidas, já agrediram e devastaram sucessivamente o Afeganistão, o Iraque e a Líbia. Concentram agora seus esforços propagandísticos, diplomáticos e militares contra a Síria e o Paquistão, intensificando o cerco ao Irã. Enquanto isso, conciliam com as escandalosas violações aos direitos humanos perpetradas impunemente pelos governos da Arábia Saudita, do Bahrein ou do Iêmen.
A conduta do governo brasileiro tem sido contraditória. Absteve-se na votação de resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas que condenava hipocritamente a repressão na Síria. Mas acaba de enviar fragata da Marinha do Brasil para participar da Força Tarefa Naval das Nações Unidas no Líbano, com a missão de “auxiliar no controle das fronteiras de modo a evitar a entrada ilegal de armas e materiais correlatos” no sul do país, onde estão concentradas as forças armadas do Hezbollah, que tiveram papel decisivo na resistência à última tentativa de invasão do país pelo Estado de Israel.
Em face da intervenção de forças armadas do Brasil no Haiti e agora no Líbano, ainda que sob a bandeira das Nações Unidas, mas de fato a pedido dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e da França, é preciso insistir que não pode ser livre um povo que ajuda a oprimir outros povos.

(*) Duarte Pereira é jornalista e escritor

Abbas na ONU: passo importante, mas não decisivo

06/10/2011 - 14:39

Abbas na ONU: passo importante, mas não decisivo

*Por Milton Temer
Foi uma jogada de mestre do chefe atual da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. Até então colocado no canto do ringue, com a defesa fragilizada pelo que se tornou público com as denúncias vazadas pelo Wikileaks  quanto a concessões secretas inaceitáveis no embate diplomático com o governo Netanyahu, Abbas renasceu. Perdendo legitimidade pela prorrogação de um mandato já vencido há dois anos, contra o qual nenhum membro do famigerado Quarteto – potências ocidentais que acompanham as negociações entre a ANP e Israel – levanta problemas por saber que tem nele o mais cordato dos representantes palestinos, Mahmoud Abbas colocou o rei em xeque, e recuperou força política interna.
Sua iniciativa não chega a produzir um xeque-mate, mas vai exigir trabalho árduo de Netanyahu e de Barack Obama para aliviarem a pressão popular, e até insurrecional, que será previsivelmente crescente, não só na Cisjordânia, como em todos os países árabes, contra manutenção das tropas de Israel em território palestino.  E com isso saiu. Abbas da condição de traidor para a de quase herói nacional.
Buscando a Assembléia da ONU numa mais que incontestável demanda de filiação da Palestina como Estado-membro, ele coloca em pauta a honestidade de Obama, Merkel, Sarkozy e Cameron, em suas “cruzadas” pelo estabelecimento de democracias de tipo ocidental nos países árabes submetidos a ditaduras ou regimes autoritários. É duro para chefes de governo que nunca se opuseram a ditaduras anti-comunistas – pelo contrário, até lhes davam cobertura política e financeira – durante a Guerra Fria, explicar porque permitem a Israel continuar sendo o único ocupante militar de um território nacional estrangeiro.
Mas fora o simbolismo da ação, o que de realmente concreto pode ser previsto para o futuro de curto e médio prazo? Essa é a equação a ser destrinchada, e cuja solução nunca será encontrada se mantida a arena de luta exclusivamente no confronto direito entre os representantes palestinos e os israelenses. Limitados a essa arena, é um embate permanente entre estilingues portados por jovens rebeldes e um dos mais fortemente armados exércitos do mundo. E mais; sustentado por uma correlação política cada vez mais reacionária na sucessão de governos de Israel. Uma correlação cujo símbolo é Avigdor Liberman, o chanceler que se caracteriza por apego a um brutal belicismo xenófobo contra os palestinos.
Essa equação só encontrará solução vinda de fora. Do constrangimento político sobre os líderes das grandes potencias capitalistas ocidentais à mudança de posição dos governos árabes limítrofes que, à exceção da Síria, do Irã e do ziguezagueante Líbano, são menos solidários com os palestinos do que os próprios israelenses de esquerda, tratados como traidores em seu país.
Mas há outra questão fundamental na busca da melhor solução. Dois Estados independentes, em que palestinos sejam alocados nas fronteiras pré-1967 não é uma conformação geopolítica que atenda aos palestinos de forma unânime. Afinal, por esse caminho, estaríamos apenas retrocedendo aos acordos de Oslo, em 94,que boa parte das cabeças pensantes dos palestinos considerou produto de uma traição de um Yasser Arafat constrangido pela perda de apoio que lhe era garantido pela extinta União Soviética. Edward Said, um dos mais expressivos pensadores da causa, se desligou da OLP, na qual exercia cargo de direção, na esteira inclusive de denúncia de grossa corrupção que estaria na raiz da guinada ideológica da direção  da até então ideológica direção palestina.
Pois tal definição de fronteiras para os dois Estados pressuporia o abandono dos refugiados – aqueles que foram expulsos, sem indenização, de suas terras e casas. Continuariam sendo tratados como párias sem direito a retorno às suas raízes. Ou seja; estaria aí a corrente favorável à existência de um só Estado, sem os atuais privilégios para os judeus, onde a cada cidadão corresponderia um voto. Evidentemente uma solução inimaginável no contexto atual. Se essa saída permitiria a manutenção dos atuais assentamentos ilegais de colonos sionistas radicais, não se imporia sem uma concepção laica ao Estado que tem como símbolo nacional a estrela de David. Inimaginável, portanto, com a atual correlação de forças locais. Mas não absurda a considerar exemplo histórico bem anterior, com o período de domínio mouro da Península Ibérica, onde conviviam harmoniosamente muçulmanos, cristãos e judeus. Convivência que só foi desfeita pela ascensão de Isabel, a Católica, e a posterior Inquisição.
Por outro lado, há a visão do Hamas, hoje com controle da Faixa de Gaza, onde a ocupação não se dá de forma direta, através dos famigerados pontos de controle militar que separam aldeias da Cisjordânia, mas sobre a qual se exerce um odioso bloqueio israelense. Bloqueio que, sob o argumento de impedir tráfico de armas, na verdade impede até a chegada de alimentos e remédios para a região. E, para o Hamas, ser Estado-membro da ONU nada representa se antes disso não houver a total retirada dos sionistas ora ocupando o território palestino – seja pelas armas do Exército, seja pela crescente construção de assentamentos, muros isolacionistas e rodovias só acessíveis aos que habitam tais assentamentos.
Enfim; no balanço de perdas e ganhos, é indiscutível que a iniciativa de Abbas foi extremamente competente e produtiva. Surfou na onda da Primavera Árabe para, além de se recuperar internamente, colocar pressão externa considerável sobre o governo Netanyahu. Pressão que já ficou evidente no duelo de retóricas na Assembléia da ONU, onde pontificou um Abbas mais parecido com as antigas gerações politizadas da OLP, recebido com aplausos de pé, vitorioso sobre um Netanyahu que nem de perto lembrava o arrogante em sua intervenção no Congresso americano algum tempo antes. Era um Netanyahu quase pedindo a benção do dirigente da ANP, como forma de convencê-lo a recuar da demanda nacional e voltar a uma mesa de negociação nada paritária. Pelo contrário, onde voltaria a dar as cartas.
O resultado final não sairá dessa votação da ONU. Mesmo como Estado-membro da ONU, ou como Observador, a Cisjordânia continuará ocupada até que forças externas – seus próprio aliados ianques e europeus, ou massas insurretas árabes – obriguem Israel a de lá sair.
*Fonte: PSOL Internacional

A Bolsa e a não-vida

Instabilidade das moedas, no quadro de crise financeira, faz a festa do capital especulativo e predador. Festa para os que vivem do dinheiro pelo dinheiro,sem nada produzir, impondo "austeridade" a governos que se rendem à transferências de recursos públicos para bancos privados, à custa de sangria crescente em empregos e políticas públicas para a saúde e educação. É o verdadeiro baile de vampiros
www.valor.com.br
Multimercados com aplicações no exterior aproveitam a forte oscilação das divisas provocada pela incerteza com a Europa para obter retornos diferenciados

O 'polêmico" Jabor

CBN faz chamada publcitária do comentário de Arnaldo Jabor, como a "sua dose diária de polêmica e passionalidade". Desculpe, mas não a minha, por ser uma visão de direita e conservadora, na linha editorial do grupo Globo. Que teria todo o direito de divulga-la desde que oferecesse espaço semelhante a alguém com a posição oposta. Afinal, canal de rádio é concessão de direito público, regulamentada. Ou já virou propriedade privada?

Chile- Piñera, poupado pela mídia de direita

"Más de 150 detenidos..."é a manchete do El Pais. A Imprensa conservadora mundial está em palpos de aranha. Sempre entusiiástica na defesa incondicional de qq manifestação de rua na Venezuela e em Cuba,onde não se registram repressões violentas,dá nó em pingo d'água para noticiar a ofensiva repressiva do governo Piñeras (apoiador de Pinochet) contra os estudantes lutando por ensino gratuito, em manifestações que quer criminalizar
internacional.elpais.com
La quiebra del diálogo con el Gobierno aviva los disturbios en la capital.

Dívida - Carta de Brasília




Seminário Internacional “Alternativas de Enfrentamento à Crise”

Hoje, dia 5 de outubro de 2011, centenas de representantes de entidades do Brasil, Argentina, Belgica, Colombia, Venezuela, Suíça, Noruega, Grécia, Equador, Uruguai, Peru, Bolivia, da Auditoria Cidadã da Dívida e das redes internacionais CADTM (Comitê pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo) e Latindadd (Rede Latino-americana sobre Dívida, Desenvolvimento e Direitos) se reuniram em Brasília, no Seminário Internacional “Alternativas de Enfrentamento à Crise”, para demandar:
- a alteração radical do atual sistema financeiro global, que tem funcionado de forma desregulada, sem qualquer controle democrático ou popular, a despeito das crises financeiras serem sentidas pelos amplos e vulneráveis segmentos sociais;
- a instalação de comissões para auditoria da dívida pública em cada país, e o fim da emissão de dívida pública para salvar instituições financeiras em risco de quebra;
- o avanço da integração latino-americana e a implantação imediata, em toda a região, da Nova Arquitetura Financeira, que inclui o pleno funcionamento do Banco do Sul.
As entidades repudiam os nefastos efeitos das políticas impostas pelos bancos e seus representantes – FMI, União Européia e governos – sobre as populações, com destaque para a Grécia, palco de verdadeira guerra travada entre o povo e o sistema financeiro.
Este sistema insiste em exigir demissões em massa e a redução sem precedentes de direitos e gastos sociais: congelamento salarial, desemprego, penúria dos aposentados, privatizações, precariedade da saúde, educação, moradia, tudo isto para garantir o pagamento de uma dívida repleta de ilegitimidades. Esta é uma crise que multiplica-se tal qual um vírus, que vem adoecendo e contaminando a sociedade.
A crise oferece oportunidade de luta conjunta dos povos do Sul e do Norte contra o “sistema da dívida”, que é a usurpação do endividamento público, transformando-o em um instrumento de dominação global. Além das manifestações públicas evidenciadas por greves em várias partes do mundo, a demanda e a criação de comissões de auditoria da dívida se multiplicam por vários países. A auditoria é um instrumento capaz de revelar e documentar a VERDADE sobre esse “sistema da dívida”, possibilitando à sociedade o CONHECIMENTO sobre como, e a serviço de quem, tais dívidas foram constituídas. E estamos certos de que o conhecimento é um dos principais instrumentos dos povos na luta contra a sua opressão.
O instrumento de auditoria foi utilizado recentemente com sucesso pelo Equador que, com base em relatório de comissão criada para esse fim, respaldado em documentos e provas de ilegalidades, anulou 70% da dívida com bancos privados internacionais. Este processo foi considerado como um exemplo para o mundo pela própria ONU, onde a sociedade poderia estimular a criação de uma comissão de auditoria independente.
No Brasil, recente Comissão Parlamentar de Inquérito da Dívida Pública, concluída em 2010, na Câmara dos Deputados, também apontou fortes indícios de ilegalidades – já encaminhados ao Ministério Público - e reconheceu que a maior parte da dívida pública brasileira é resultado das altas taxas de juros, o que demonstra ausência de contrapartida real de uma dívida que em 2010 consumiu 45% dos recursos do Orçamento da União para o pagamento de juros e amortizações. Essa dívida, gerada por mecanismos financeiros ilegais e ilegítimos, entre os quais até mesmo a prática de juros sobre juros (anatocismo) já declarada ilícita pelo Supremo Tribunal Federal - STF, deve ser urgentemente auditada.
Justamente no STF se encontra a ação ajuizada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 59/2004 - que pleiteia o cumprimento do artigo 26 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição Federal de 1988. Esse artigo determinou que o Congresso Nacional constitua uma Comissão Mista para realizar o exame analítico e pericial dos atos e fatos geradores do endividamento brasileiro. Hoje, 5 de outubro de 2011, completam-se exatos 23 anos de sistemático descumprimento desse dispositivo contido na Lei Maior do país, proclamada para ser a “Constituição Cidadã”. As entidades presentes no Seminário repudiam essa continuada violação e declaram seu apoio à importante iniciativa da OAB, e às investigações do Ministério Público decorrentes da CPI da Dívida.
A auditoria da dívida é urgente, pois o Brasil também enfrenta uma séria crise de endividamento, ainda que não aparente. O atual modelo econômico aplicado no país privilegia o pagamento da dívida ao mesmo tempo em que aplica todas as medidas recomendadas pelo FMI na Europa. Estão em marcha no Brasil o corte de R$ 50 bilhões no orçamento federal; o congelamento de salários de servidores públicos, proposto pelo Projeto de Lei Complementar 549/2009, e já implementado na prática pela recusa do governo em negociar com várias categorias; a privatização da previdência desses servidores (Projeto de Lei 1992/2007); a privatização dos hospitais universitários (Projeto de Lei 1749/2011); a restrição de recursos para investimentos em áreas essenciais como saúde, educação, moradia, assistência, saneamento etc.
Os participantes do Seminário declaram também seu apoio à recomposição das perdas dos aposentados, bem como à campanha pela destinação de 10% do PIB para a educação, e demais revindicações que visam a resgatar os direitos sociais.
Repudiamos a intenção anunciada de que o Brasil poderá destinar recursos para “ajudar” a União Européia (UE) a “combater” a crise, acenando com o aporte de mais reservas internacionais brasileiras para o FMI, UE ou outro instrumento similar. Sabemos que eventuais medidas dessa natureza não se converterão em ajuda aos povos; a história recente mostra que os beneficiários, de fato, serão as organizações financeiras, que continuarão, assim, assegurando níveis extorsivos de lucratividade. Tal medida não combate a crise, mas a aprofunda, visto que os pacotes de “ajuda” impõem recessões, desemprego e redução de gastos sociais.
Adicione-se que os recursos que o Brasil eventualmente possa destinar a tais pacotes nefastos são obtidos por meio de mais “dívida interna”, sobre a qual incidem as mais altas taxas de juros do mundo. Esta é a pior forma possível de “combater” a crise, pois faz a população brasileira pagar caro para financiar programas que sacrificam ainda mais a população européia.
Outra aplicação das reservas brasileiras é a compra de títulos do Tesouro dos EUA, que não rendem quase nada e ainda financiam as políticas estadunidenses, como o salvamento de bancos falidos e as guerras.
Todos esses pontos mostram a necessidade de uma nova arquitetura financeira internacional, em que a lógica não seja aquela em que os povos dos países periféricos financiem os impérios. Esta nova arquitetura financeira passa pela efetiva criação do Banco do Sul, orientado para o investimento em projetos que atendam às necessidades dos povos, e não das grandes empresas transnacionais.
Essa instituição deve ser controlada, portanto, por organismos representativos da sociedade civil, voltados à defesa dos direitos humanos fundamentais, dos interesses coletivos, da sustentabilidade ambiental e da autonomia dos povos. Somente com essa integração democrática será possível escapar às amarras impostas pelo estado capitalista, sujeito às determinações ditas “dos mercados”, sabidamente incompatíveis com o desenvolvimento social.
Neste sentido, as entidades presentes rechaçam todo e qualquer instrumento de dominação dos povos a serviço das grandes empresas transnacionais, e proclamaram:
- NÃO ao projeto da Estrada Villa Tunari – San Ignacio de Moxos, na Bolivia, que conta com financiamento do BNDES do Brasil. Esta estrada atravessa o Território Indígena do Parque Nacional Isiboro Sécure (TIPNIS), e gerará destruição ecológica e afetará a vida e a cultura dos povos indígenas. As entidades solidarizam-se com os pronunciamentos das Redes Latindadd e outras contra este projeto.
- NÃO à atuação do CIADI (Centro Internacional para a Arbitragem de Disputas sobre Investimentos), cujas decisões favorecem as transnacionais em detrimento dos povos. Os países da América Latina devem se retirar deste organismo e avançar na implementação da Nova Arquitetura Financeira Internacional;
- NÃO à promoção de projetos que aumentam a dívida ecológica, a difusão de um modelo agrícola baseado em monoculturas e agrotóxicos – que envenenam o ambiente – enquanto os camponeses permanecem abandonados, sem reforma agrária;
- NÃO à presença de tropas brasileiras no Haiti, que servem à manutenção de um modelo neoliberal de exploração da classe trabalhadora.
Ante todo o exposto, as entidades reivindicam:
- a suspensão imediata dos programas neoliberais impostos pelo FMI, União Européia e governos aos povos europeus, e a suspensão do pagamento das dívidas feitas para salvar o setor financeiro e sustentar o lucro de grandes empresas;
- uma nova arquitetura financeira internacional, que privilegie não o setor financeiro do Norte, mas o conjunto dos povos e sua parcela majoritária, que depende de investimentos públicos capazes de desenvolver políticas de emprego e salários dignos e de produzir serviços satisfatórios, como nas áreas de saúde e educação;
- a completa auditoria das dívidas do Sul e do Norte, que dará aos povos uma importante ferramenta para derrotar este verdadeiro “sistema da dívida”, o qual promove a apropriação das riquezas globais e a submissão de enormes fatias populacionais do planeta em benefício de uma elite capitalista, empresarial e financeira. Para tanto, as entidades internacionais presentes elaborarão um manual de auditorias da dívida, direcionado tanto aos especialistas como também aos movimentos sociais.
- a democratização das decisões de política econômica para o enfrentamento da crise, expressa em suas facetas alimentar, ambiental, financeira e social, o que será possível somente a partir do amplo conhecimento dos fatores de poder que impedem o pleno acesso aos direitos consagrados nas diversas ordens constitucionais e no direito internacional.
Brasília, 5 de outubro de 2011